Sétima arte #29: Manchester À Beira Mar

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Título original: Manchester By The Sea
Ano de lançamento: 2016
Direção de Kenneth Lonergan
Roteiro de Kenneth Lonergan
Elenco: Casey Affleck, Michelle Williams, Kyle Chandler, Lucas Hedges .
Gênero: Drama
Duração: 137 minutos

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Sinopse: Lee Chandler (Casey Affleck) é forçado a retornar para sua cidade natal com o objetivo de tomar conta de seu sobrinho adolescente após o pai (Kyle Chandler) do rapaz, seu irmão, falecer precocemente. Este retorno ficará ainda mais complicado quando Lee precisar enfrentar as razões que o fizeram ir embora e deixar sua família para trás, anos antes.

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Como é que posso começar algo de novo com todo o ontem que está dentro de mim? (Beautiful Losers – Leonard Cohen)

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Manchester À Beira Mar é um dos filmes indicados ao Oscar 2017 que mais me comoveu, me destruiu, me deixou chorando num cantinho e me deixou refletindo sobre como o ser humano tem dificuldade para superar o passado, para se perdoar, para conviver com o seu presente. O longa, dirigido por Kenneth Lonergan cujos trabalhos passaram pelos roteiros de Máfia no Divã e Gangues de Nova York, é de uma beleza angustiante e de uma tristeza contida que seria impossível não sensibilizar o espectador.

O filme conta a história de Lee Chandler (Casey Affleck), um homem que trabalha como zelador de prédio em Boston. Lee é calado, sério e considerado mal-educado por alguns dos moradores exatamente por tal comportamento. Vive sozinho e parece não estar disposto a fazer amizades. Um dia, Lee recebe uma ligação com a notícia da morte de seu irmão (Kyle Chandler). Precisa, então, retornar à sua cidade natal para despedir-se do irmão, para resolver as questões do falecimento como velório, enterro e, também, para apoiar o seu sobrinho Patrick (Lucas Hedges).

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Durante o tempo em que Lee fica na cidade, vamos descobrindo as sutilezas desse personagem. Seu olhar deprimido parece querer dizer muito mais do que aquilo que nos é revelado. A atmosfera triste que acompanha os passos de Lee instiga o público a querer saber mais. Por que Lee é desse jeito? Algumas pessoas da cidade referem-se a ele como “aquele Lee Chandler” ou comentam “aquela história não é verdade” e é nesse momento que temos a certeza de que existe algum acontecimento marcante na vida desse personagem que faz os moradores comentarem sobre ele.

Lee descobre através do testamento do irmão que este lhe deixou a guarda de Patrick. No entanto, Lee não se sente preparado para ser tutor de seu sobrinho e, além disso, ele teria que se mudar para a cidade a qual fora embora há anos. É neste momento que percebemos o quanto a atuação de Casey Affleck é simplesmente maravilhosa. Não são apenas a postura retraída, as mãos nos bolsos, o olhar que evita contato direto com outro ser humano e seu caminhar irresoluto. Apesar dessas características despertarem a curiosidade do espectador em relação ao comportamento do protagonista, é a série de flashbacks que nos emociona e que nos faz perceber que a performance de Affleck é digna de Oscar.

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A atuação de Casey Affleck não é, no entanto, a única que nos chama a atenção. O elenco de Manchester à Beira Mar é excelente. Lucas Hedges, ator estreante que faz o personagem Patrick, mostra-nos um adolescente seguro, que tenta levar a vida normalmente apesar da morte do pai, realizando as diversas atividades da escola, do time de hóquei, da banda e também vivendo romances com meninas diferentes.  Mas a sua performance vai além disso. Algumas cenas deste personagem com o seu tio Lee são sensacionais (vejam o filme e me digam depois o que acharam da cena do freezer!).

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E, claro, não poderia deixar de falar da Michelle Williams, atriz que tem realizado grandes atuações em seus últimos trabalhos. Williams faz a personagem Randi e, confesso, achei que ela aparece muito pouco no filme e não estava entendendo o motivo da indicação à Melhor Atriz Coadjuvante. No entanto, as cenas que a atriz participa são tão importantes e sua atuação é tão espetacular, que compreendi totalmente a indicação. Existe uma cena de aproximadamente 5 minutos em que Randi e Lee conversam… Bom, eu DUVIDO que você não consiga se emocionar ao assistir. Eu não aguentei.

Eu teria muito mais para falar sobre Manchester À Beira Mar. A trilha é linda. A ambientação também. Aliás, a história desenrola-se no inverno, combinando com o clima mais intimista, cinza, triste e lento do protagonista e pelas situações vividas pelas personagens. E é interessante aqui ver o contraste com alguns flashbacks que são coloridos, alegres e rápidos. Mas como eu disse, eu teria mais para falar… Uma resenha jamais substituirá a grande experiência que é assistir a esta obra de arte. Que filme!

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Manchester À Beira Mar é um filme comovente, triste e lindo. Não espere cenas com muito diálogo, muita ação ou ritmo intenso. A história é centrada no silêncio, no que não é dito, na profunda solidão do protagonista e, principalmente, na dificuldade de superar o passado.

Recomendo!

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Beijos literários!

assinatura ana karina

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