Universo Paralelo #29: Resenha Dupla – George Orwell

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Quando se trata de distopias, é impossível não mencionar George Orwell. Mesmo gostando muito do gênero, nunca tinha lido nenhuma obra dele, e nada melhor do que começar com as duas mais famosas: 1984 e Revolução dos bichos.

Diferente das distopias adolescentes, que se focam na história do herói e o protagonista como ferramenta para mudar o sistema, George Orwell se foca no sistema em si: como o sistema foi instaurado, como funciona, quais os mecanismos usados para manipular a população, o que se espera dos que comandam e dos que obedecem, e por aí vai. É um retrato realista e cru de sociedades dominadas por sistemas totalitaristas. Se em 1984 vemos uma sociedade cujo domínio totalitário já está bem estabelecido (com pouquíssimas pessoas que se lembram como era antigamente), em Revolução dos Bichos vemos o processo que leva para isso acontecer, usando os animais de uma fazenda para fazer uma metáfora com a sociedade real (quase uma fábula distópica).

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Em 1984, o protagonista é Winston Smith, que mora na Pista Número 1 (equivalente à Inglatera) na sociedade da Oceania. A Oceania está em constante guerra seja com a Lestásia ou a Eurásia, as outras duas sociedades do mundo. Essa sociedade é dividida em três classes: o líder é o Grande Irmão, e quem tem o poder é o Partido Interno, responsável por controlar todos os aspectos da vida dos membros do Partido Externo. A maior parte da população (mais de 80%) é formada pela plebe, parte pobre da população que vive nas periferias mas não é tão controlada como os membros do Partido. O Partido Interno, que representa o governo, controla todos os aspectos da vida dos membros da sociedade. Eles monitoram a população vinte e quatro horas por dia, inclusive enquanto ele dormem, e tudo o que eles pensam. Através das expressões faciais, do comportamento, das atitudes, a chamada Polícia do Pensamento pode acusar alguém de traição, e então capturar, torturar e executar a pessoa como bem quiserem. Como se não bastasse, eles ainda inventaram uma nova língua: Novilíngua (criatividade 10), no original Newspeak, cujo objetivo é substituir o inglês e se trata de mais uma forma de controle. O conceito mais utilizado é o de manipular a história e a memória das pessoas: o Partido manipula todos os registros e informações que chegam à população, de forma que qualquer coisa veiculada para os membros do Partido seja tomada como verdade, mesmo que o contrário tenha sido dito no dia anterior.

É é justamente isso que faz o protagonista Winston Smith: como trabalhador do Ministério da Verdade (que falsifica os registros), ele modifica as informações e faz parecer que o Partido sempre está certo e que a condição de vida está sempre melhor do que era antes. É através da perspectiva dele que vemos a história (em terceira pessoa) e descobrimos mais sobre como é a vida nessa sociedade, já que ele começa a questionar o controle do Partido Interno.

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revolução dos bichos

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Já em Revolução dos Bichos, o que se vê é uma metáfora da Revolução Russa, mas protagonizada por animais na Granja do Solar, cujo dono é chamado Sr Jones. Os animais, inspirados pelas ideias do porco chamado Velho Major, fazem uma revolução e tomam a granja para si. No entanto, com estratégias similares às usadas em 1984, o grupo que está no poder (os porcos) aos poucos transformam a sociedade dos animais em um regime totalitarista que controla e explora o resto dos animais. As críticas ao stalinismo são claras, e é possível traçar um paralelo entre os grupos de animais e personagens históricos: Orwell se foca em mostrar como a luta pelo poder ofuscou as ideias defendidas na revolução.

Ambas as obras não passam uma mensagem de esperança, superação ou reafirmação das qualidades da natureza humana. O que se vê é uma crítica dura e direta ao totalitarismo e uma previsão assustadora, quase um aviso sobre o que o futuro pode trazer. Apesar de Revolução dos Bichos e 1984 terem sido publicados em 1945 e 1949, respectivamente, a mensagem não poderia ser mais recente. Imaginar uma sociedade em que até seus pensamentos e sua memória são controlados é de causar calafrios, já que a sede por poder e controle não são nada fictícios. Em uma época em que as liberdades individuais são pauta frequente na política, é difícil não se chocar com uma realidade em que ninguém é dono de si. George Orwell consegue, com sucesso, plantar uma semente de desconfiança na cabeça dos seus leitores, que com certeza passam a enxergar o mundo de um jeito diferente depois da leitura de suas obras.

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*Imagens retiradas da Internet

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assinatura karen caires

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