Universo Paralelo #28: Série Cormoran Strike

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                J.K. Rowling não cansa de surpreender. Muitas pessoas (eu inclusive) já eram fãs do trabalho da escritora britânica por Harry Potter, e muitas expectativas foram criadas desde que ela começou a se aventurar por gêneros diferentes: inicialmente com seu primeiro livro para adultos, Morte Súbita (que gostei muito, por sinal) e agora com a série de romances policiais Cormoran Strike, focada nas investigações do detetive particular de mesmo nome. A série, que tem previsão de mais de sete livros (segundo a própria autora), tem até então três livros: O Chamado do Cuco (The Cuckoo’s Calling), O Bicho da Seda (The Silkworm) e Vocação para o Mal (Career of Evil) e foi escrita sob o pseudônimo de Robert Galbraith.

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                Os três livros são protagonizados por Cormoran Strike, ex-militar condecorado que deixou o exército e passou a trabalhar como detetive particular após perder a perna direita no Afeganistão, e sua assistente/parceira Robin Ellacott, que começa a trabalhar para o detetive temporariamente como secretária. Cada um dos três livros gira em torno da investigação de um crime, mesmo que no segundo e terceiro livros outras investigações secundárias façam parte da história. A história se passa principalmente em Londres, e a narração é semelhante às dos outros livros de Rowling: feita em terceira pessoa, de modo que é possível saber o que os personagens sentem e pensam, mas ainda assim com certa imparcialidade para que a história não seja totalmente influenciada por aquele ponto de vista.

                É importante destacar que a evolução nos três livros é notável. O primeiro apresenta os personagens e o estilo da história, e Cormoran é contratado para investigar o suicídio da modelo Lula Landry. O segundo livro tem como foco o desaparecimento do escritor Owen Quine e as intrigas do mercado editorial, e a história cresce em todos os sentidos: na complexidade da trama, no número de personagens e no desenvolvimento dos protagonistas. Já o terceiro é sem dúvidas o meu preferido. No último, além de explorar outras localidades no Reino Unido, descobrimos muitas informações sobre o passado do personagens e temos pela primeira vez o ponto de vista do assassino. Além de abordar temas sérios como estupro, relacionamentos abusivos, distúrbios mentais, psicopatia e pedofilia, Vocação para o Mal é também o livro da Robin: a personagem cresce bastante na trama, principalmente quando descobrimos mais sobre seu passado.

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                O grande destaque não só da série, mas da escrita de Rowling, é a capacidade da autora de criar ótimos personagens. E por ótimos não digo personagens que são completamente íntegros, mas extremamente humanos. Personagens complexos, com várias facetas e moldados pelo seu passado, que se desenvolvem  bastante durante a trama e cujas motivações são coerentes no contexto da história. Cada personagem, mesmo que não tenha tanto destaque, tem personalidade e não apenas preenche espaço na história. Os capítulos descritos pelo assassino em Vocação para o Mal só confirmam a qualidade desde aspecto nos livros, e diferente de certas autoras (né, Veronica Roth), a diferença é clara entre os pontos de vista dos diferentes personagens.

                Uma das coisas que mais me impressiona na escrita de qualidade de Rowling é o capricho com que ela cuida de cada detalhe da trama. A caracterização dos lugares, de forma que Londres pareça mais familiar pela ótica dos personagens; a forma como pistas são deixadas de forma sutil e cada pequena informação tenha seu valor; todas as pontas soltas sendo finalizadas com eficiência, mas deixando história para livros futuros. Um recurso interessante utilizado na versão original (não sei se a editora Rocco tentou traduzir isso de alguma forma) foi a diferença na forma de escrever para representar vários sotaques diferentes (do Reino Unido e de outros países). Em vários momentos da história alguns dos personagens têm suas falas escritas de forma diferente de um jeito que é possível imaginar como eles falam, e é possível diferenciar o sotaque escocês, o de Yorkshire, o de Cornwall, e por aí vai.

                Mesmo com algumas inconsistências na história, o saldo é mais que positivo, e J.K Rowling mostrou mais uma vez que talento para criar ótimas histórias e personagens ela tem de sobra.

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assinatura karen caires

 

 

 

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