Universo paralelo #27 : Sobre o futuro dos filmes de super-heróis

Heróis 1

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A Marvel já faz isso desde 2008, com Homem de Ferro, e a DC não perdeu a chance de explorar esse nicho de mercado começando em 2013 com Homem de Aço: universos cinematográficos. Os quadrinhos sempre tiveram grandes e complexos universos, vários crossovers, diferentes equipes de heróis e diferentes personagens representando um mesmo herói, mas até então esses universos não tinham sido explorados no cinema. Depois do primeiro filme solo do Homem de Ferro, a Marvel criou o MCU (Marvel Cinematic Universe – Universo Cinematográfico Marvel) e hoje lança de dois a três filmes por ano baseados nos seus quadrinhos (hoje na fase 3). Já a DC, mesmo com seus dois lançamentos até então terem recebido críticas mistas, tem vários filmes planejados para os próximos anos e ainda em 2016 lança Esquadrão Suicida. Além desses últimos, ainda temos a FOX com o universo X-Men (que inclui Deadpool, by the way). Com uma avalanche de filmes a cada ano e campanhas de marketing massivas, os filmes de heróis têm dominado os cinemas. E a pergunta que fica é: o que mais esses filmes tem a oferecer?

Antes de tudo, é importante citar que apesar de gostar de super-heróis e de HQs, nunca fui uma leitora muito assídua de quadrinhos (meio difícil competir com os livros, né?), mas ainda assim gosto de ir ao cinema para acompanhar os filmes e me divirto muito fazendo isso, afinal, essa é a premissa dos filmes de heróis: diversão. Nada impede, no entanto, que uma história significantemente complexa seja construída e por vezes valorize arcos mais dramáticos (como vemos em Capitão América: Guerra Civil). Considerando seu objetivo principal, esses filmes o cumprem com competência: cenas de luta bem coreografadas, efeitos especiais elaborados (CGI e tela verde é o que não falta), humor no ponto certo (se no início era forçado, hoje a Marvel encontrou seu equilíbrio). No entanto, foi difícil ignorar a sensação de “foi exatamente o que eu esperava” depois de assistir Guerra Civil. Os filmes de heróis, como todo gênero, precisam se reciclar, e apesar de ter muito material disponível (só várias décadas de histórias em quadrinhos), precisam mostrar que há mais a ser feito. Quanto ao propósito de trazer novos personagens, grandes avanços já foram feitos: agora temos personagens como a Feiticeira Escarlate, Visão e o Falcão como integrantes dos Vingadores, além da presença do Pantera Negra (que ganhará seu filme solo) no MCU. Na DC, Flash, Aquaman (isso mesmo) e Ciborgue farão suas primeiras aparições nas telonas. No entanto, são necessários novos vilões (por favor, novos vilões) que sejam mais profundos e fujam da fórmula “vou dominar o mundo por algum motivo que não faz sentido”. Precisamos de novas formas de contar essas histórias, para que não pareçam mais do mesmo sempre que um filme for lançado.

A esperança é que eles já fizeram isso, e nada impede que o façam mais vezes. Se no cinema os super-heróis parecem saturados, nas séries o cenário é bem mais promissor. A DC começou bem com Arrow, e emplacou Flash e Gotham mantendo até então uma hegemonia. Depois de começar meio devagar com Agents of Shield, a Marvel hoje tem as melhores séries de heróis até então com Demolidor e Jessica Jones, e em breve lança Luke Cage, Punho de Ferro e a série dos Defensores. Além de narrativas bem estruturadas, desenvolvimento de personagem bem feito e boas cenas de ação, cada série tem uma identidade bem forte, que cria a atmosfera ideal para que a história daquele herói seja construída. A prova de que isso pode ser feito no cinema é Guardiões da Galáxia, que trouxe uma nova perspectiva ao Universo Marvel no cinema e é um dos melhores filmes do MCU até então.

Os filmes de heróis precisam de mais ousadia. É hora de trazer histórias que nunca foram contadas (vamos dar uma pausa nos reboots do Homem Aranha por favor), diretores com ideias diferentes que possam interligar todas essas histórias e fazer com que cada uma delas tenha seu próprio estilo que acrescente à pluralidade desse universo compartilhado. Quem sabe Esquadrão Suicida e Doutor Estranho não sejam um sopro de ar fresco para o gênero?

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assinatura karen caires

 

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