Sétima arte #28: O Regresso

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Título original: The Revenant
Ano de lançamento: 2015
Direção de Alejandro González Iñárritú
Roteiro de Mark L. Smith e Alejandro G. Iñárritu
Elenco: Leonardo DiCaprio, Tom Hardy, Domhnall Gleeson e Will Poulter.
Gênero: Drama; Faroeste
Duração: 156 minutos

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Sinopse: Em uma expedição, em um território inóspito no Velho oeste, um explorador de peles, Hugh Glass é atacado por um urso e deixado para trás pelos seus companheiros. Com uma força sobrenatural, e contra todas as adversidades que a natureza a sua volta lhe proporciona, Hugh Glass sobrevive e volta para se vingar daqueles que o deixaram para trás.

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            Você provavelmente ouviu falar desse filme. Não pela deslumbrante fotografia, mas, talvez, pelo buzz sobre o tão sonhado Oscar do Leonardo DiCaprio, que vem  alimentando a internet ultimamente. Então, preciso confessar que ainda não vi o filme no cinema, e acredito ter perdido 70% da beleza deste, que, basicamente, consiste na esplendorosa fotografia. É um filme que precisa de paciência, de degustação. Lembro-me de um livro que li para a faculdade chamado Eurico, o presbítero. Durante a leitura, eu perdi as contas de quantas vezes eu revirei os olhos. É um romance histórico, tem várias cenas de lutas, descrições excruciantes de igrejas, e ia por aí. Ao final da leitura, eu tive a percepção de que: 1) o livro não tinha me tocado, e tudo bem, porque isso acontece, normalmente, pois alguns livros, filmes, pinturas nos tocam, outros não; 2) o livro é genial, eu nunca conseguiria escrever algo assim, e é por isso que eu brindo o nome de Alexandre Herculano. Mas, bem, eu não gostei. E isso pode acontecer com você quando assistir a O Regresso. Tudo isso que eu falei foi para preparar você para o filme. É um filme típico do sentimento “ame ou odeie”, bem no estilo Terrence Malick e Lars Von Trier de fazer filme. Então, antes de assistir ao filme medite ou tome um chá para acalmar os nervos.

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            A premissa do filme é fácil de descrever: Hugh Glass, famoso explorador do século XIX, junto com uma equipe, está atrás de peles em um território inóspito do Velho Oeste. Depois de uma emboscada, a equipe de Glass tem que seguir a pé, por recomendação do próprio, por um caminho arriscado. Durante essa caminhada, Hugh é atacado por um urso, que o deixa entre a vida e a morte. O capitão da equipe de Hugh ainda tenta levá-lo, mas logo Hugh torna-se um fardo e tem que ser deixado para trás. Enterrado vivo, Hugh encontra forças para enfrentar um forte inverno e vingar-se dos homens que o abandonaram.

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            O Regresso é um filme que trabalha no caminho inverso do que a nossa sociedade atual está acostumada: com a velocidade dos fatos; com a tecnologia; em um piscar de olhos temos o mundo na ponta do dedo. É demorado, porque em cada segundo há uma preocupação em mostrar os movimentos das espingardas, o som dos riachos, as pisadas no chão de terra, o crepitar da chama. É intencional mostrar o filme na sua natureza bruta. É o homem X a natureza. O homem ligado à natureza. O homem como a extensão da natureza: bruto, selvagem, incontrolável. O filme é delicado como as pisadas silenciosas dos exploradores com medo da morte; e intenso, como a luta entre o urso e Hugh Glass (que, por acaso, é uma das melhores cenas do filme). O regresso parece rastejar entre dois planos diferentes: o natural que é toda delicadeza, apesar de sua força; e o humano/animal que é toda brutalidade.

            Então, aqui chega-se a maior polêmica que envolve esse filme até este minuto: merece ou não levar o Oscar de Melhor filme? Particularmente, não faço a menor ideia. Indicado a 12 (doze, sim) prêmios no Oscar, O Regresso vem com força total, como o urso quando encontrou o DiCaprio na floresta. Entretanto, há de se pesar a vitória do Alejandro G. Iñárritú no ano passado com o espetacular Birdman. Bom, o certo é que o Leonardo DiCaprio ganhe o tão sonhado e esperado Oscar de Melhor ator. E eu, publicamente, torço para que sim, pois, entre mortos e feridos, acredito que tenha sido a melhor atuação deste ano entre os indicados na categoria – DiCaprio atuou com o olhar, com o corpo, e que atuação! Além do mais, os maravilhosos Tom Hardy e Domhnall Gleeson estavam dando aquele – grande – empurrão com atuações tão espetaculares quanto a de Leonardo DiCaprio.

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            Deixando a polêmica dos prêmios de lado e do ódio gratuito que o Alejandro G. Iñárritú vem sofrendo, O Regresso é um filme feito para saborear e sentir. É orgânico, torturante, visceral, espiritual. É o combate entre a espiritualidade que a natureza tem para nos oferecer e o inerente espírito vil que a humanidade carrega dentro de si.

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Trailer O Regresso (2015)

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assinatura maria

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