Sétima arte #25: Spotlight – Segredos revelados

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Título original: Spotlight
Ano de Lançamento: 2015
Direção de Tom McCarthy
Roteiro de Tom McCarthy e Josh Singer
Elenco: Mark Ruffalo, Michael Keaton, Rachel McAdams, Liev Schreiber, John Slattery e Stanley Tucci.
Gênero: Drama
Duração: 129 minutos

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Sinopse: Em 2001, uma pequena equipe do jornal The Boston Globe, Spotlight, começa uma investigação sobre casos de pedofilia e abuso sexual por membros da arquidiocese católica de Boston. Inicialmente, a equipe está curiosa e sedenta por uma nova história que os ocupe, porém enquanto a investigação avança, histórias que foram varridas para debaixo do tapete começam a aparecer e os segredos começam a ser revelados.

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Trailer legendado de Spotlight – Segredos revelados

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            Se em 2014 nós presenciamos a podridão da ética jornalística no filme O abutre; em 2015, Spotlight – Segredos revelados traz à tona a história de jornalistas empenhados em revelar os casos de pedofilia varridos para debaixo do tapete pela Igreja Católica. Por sua ousadia em quebrar o silêncio seja em 2001 ou 2016, Spotlight recebeu seis indicações ao Oscar, incluindo: melhor filme, diretor e ator e atriz coadjuvante para Mark Ruffalo e Rachel McAdams, respectivamente.

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            É evidente que o motor propulsor para os jornalistas do time Spotlight vem com a chegada de um novo editor que insiste em revisitar os casos de padres que abusaram de crianças, e que foram enterrados pela Igreja Católica. Um sentimento de negação é partilhado por alguns jornalistas do The Boston Globe, mas a investigação tem seu andamento. Em cada momento, podemos ver que a história já era antiga, todos já sabiam, mas tanto os jornais quanto as próprias pessoas optaram por enterrar aqueles atos abomináveis. Abusa-se da fé e do corpo de crianças que ainda nem descobriram o mundo. Não há nada mais assustador do que isso na narrativa de Spotlight.

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            Há, atualmente, entre os estudantes de jornalismo, um sentimento de que Spotlight é o filme que verdadeiramente representa a profissão. Os jornalistas são heróis. E não tiro a razão. Mas como o próprio filme mostra o jornal já tinha tido a chance de vasculhar a podridão dos casos em 1993, mas preferiu descartar, porque achou que era uma história sem algum tipo de valor, em questão de vendas. É no desenrolar da investigação, que os jornalistas vão tomando gosto, pisando em ovos, cautelosos e descobrindo que – como diriam nos ditados populares – onde há fogo, há fumaça. Fumaça branca para ser mais específica.  

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            Lembro-me de quando assisti pela primeira vez Mississipi em Chamas e fiquei perturbada. Senti-me tão desconfortável, como se eu estivesse saindo do meu corpo a cada cena. Um sentimento de não pertencimento. É um “sentimento de merda”, como dizem os jornalistas de Spotlight, porque é isso que eles sentem também. Impotência. Acredito que é isso que acontece quando nós encaramos as atrocidades que a humanidade pode cometer; mesmo aqueles que se autodenominam “cidadãos de bem”; mesmo que seja a Igreja Católica. São homens que matam outros homens pela cor da pele, pela religião; são homens que utilizam a fé para abusar de crianças. Como não reagir a isso? Como ser imune a isso? Como, simplesmente, virar as costas para essa realidade?

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            Spotlight precisou de coragem e comprometimento. Foi necessário coragem para que esses jornalistas do Spotlight pudessem expor negativamente uma das maiores instituições que regem a nossa vida. Foi preciso coragem do diretor Tom McCarthy em trazer à tona essa história para o cinema, que é uma arte feita majoritariamente para o grande público. Acredito que o cinema pode ser uma via para denunciar essas questões, e, ainda bem, que temos a bravura dessas pessoas em não deixar as coisas como estavam e, como o próprio subtítulo do filme diz, revelar esses sórdidos segredos.

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assinatura maria

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