Universo Paralelo #24: Livro + Filme #2: Ender’s Game

 

Livro: Ender’s Game
Autor: Orson Scott Card
Lançamento: 1985 (1a edição)
Editora: Tor Books
Páginas: 324
Skoob: 4.5/5.0

 

 

 

 

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Filme: Ender’s Game – O Jogo do Exterminador (2013)
Direção: Gavin Hood
Roteiro: Gavin Hood
Elenco: Asa Butterfield, Harrison Ford, Viola Davis, Abigail Breslin, Ben Kingsley, Hailee Steinfeld
Duração: 114 min
Avaliação no IMDb: 6.7/10
Avaliação no Rotten Tomatoes: 60%

 

 

 

 

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         No romance, Ender Wiggin é uma criança de seis anos de idade, quando é recrutado para a Escola de Combate Espacial. No futuro criado por Orson Scott Card, a humanidade está em guerra com alienígenas invasores, e muitos dos combates são travados em outros sistemas solares, distantes do nosso. Como não existe uma tecnologia de voo mais rápido que a luz, nessa ficção científica, os muito jovens são recrutados porque eles estarão maduros quando estiveram em batalha ou quando retornarem à Terra.

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         Antes de começar, tenho uma dica importante: veja o filme primeiro e depois leia ao livro. Pelo menos para mim, essa combinação foi acertada, já que ao ler o livro fui surpreendida positivamente, e acredito que se fosse o contrário, eu teria me decepcionado (e muito) com a adaptação. Além disso, li a versão em inglês do livro, portanto alguns termos podem não ser os mesmos da tradução brasileira.

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         Outra distopia? É, eu não me canso do gênero. E assim como é característico do gênero, Ender’s Game explora um futuro altamente tecnológico, só que nesse caso, Orson Scott Card vai mais longe: foram criadas tecnologias que permitem ao ser humano morar no espaço, viajar distâncias inimagináveis e armas de destruição em massa. Nesse futuro, décadas se passaram depois que os buggers (seres alienígenas semelhantes a formigas extremamente inteligentes) tentaram invadir a Terra não uma, mas duas vezes, sendo que na última, a raça humana sobreviveu apenas devido ao sacrifício do general Mazer Rackam. Sendo assim, na época em que se passa a história, as crianças são treinadas para serem soldados e comandantes de forma que quando estiverem mais velhas (adolescentes/jovens adultos) possam liderar um ataque aos buggers de forma a inibir futuras invasões. Ender Wiggin é um garoto de 6 anos que se apresenta como uma promessa para liderar as tropas da invasão, e o livro segue basicamente a jornada de Ender pelas várias escolas de preparação até…. Bem, isso já é spoiler. Fato é que a história avança consideravelmente até o fim do livro, o que é diferente do filme, em que a história é conduzida de forma tão rápida que não parece que Ender envelheceu muito. Devo ressaltar que esse é um resumo bem compacto, mais semelhante ao que você pode ver no filme do que no livro, já que o final do livro apresenta explicações muito mais detalhadas e inclusive avança consideravelmente na linha temporal da história, e a complexidade é bem maior, com foco em outros personagens e tramas. Porém, no geral, essa é a premissa que guia “O Jogo do Exterminador” (não gostei mesmo dessa tradução).

         A adaptação de Ender’s Game conta com um elenco nada modesto: Harrison Ford, o vencedor do Oscar Ben Kingsley, as indicadas Viola Davis e Abigail Hailee, e como protagonista, Asa Butterfield (um dos cotados para ser o novo Homem Aranha, tendo perdido o papel para Tom Holland). O time de estrelas fez um trabalho competente, no entanto as limitações do roteiro não favoreceram o desenvolvimento dos personagens. O roteiro, bem objetivo e direto, não permitiu que a riqueza da história fosse explorada na adaptação, e o resultado foi um filme que diverte e entretém, mas não entrega tudo que poderia considerando o material original.

         Não há como negar que Ender’s Game é uma grande obra. Lançado em 1985, o livro consegue combinar reflexões diversas com extrema competência: a política de um planeta que se sente constantemente sob ameaça e a utilização desse medo para manipulação das massas; o controle sobre as famílias, suas crenças, suas atitudes, incluindo o número de filhos (Ender era um terceiro filho, o que foi possível apenas por autorização do governo, e sofria preconceito por isso); as políticas inconsequentes e as atitudes moralmente questionáveis em tempos de guerra; o uso de crianças como soldados, quase máquinas (e a ausência da infância); liderança e amadurecimento (Ender sofre com grandes períodos de isolamento e conflitos com outros comandantes); entre outros. A história é rica e bem explorada, com um ritmo que permite acompanhar o desenvolvimento de Ender, seu amadurecimento e suas descobertas de todas as mentiras que envolvem o ambiente militar durante a guerra. O final não poderia ser melhor, explicando com detalhes o desfecho de todos os plots e o destino dos personagens de forma criativa e eficiente, sendo coerente e melhor do que eu esperava.

         Sobre as diferenças entre o livro e o filme, já adianto que são muitas. Enquanto no filme a história é conduzida de forma rápida e direta, sem tempo para que possa se notar o tempo passar efetivamente na infância nada comum de Ender, no livro a linha temporal é bem mais detalhista e cobre um grande período de tempo, o suficiente para que Ender envelheça e chegue à adolescência. Além disso, no filme a história se foca exclusivamente em Ender, enquanto que no livro é possível acompanhar o núcleo de personagens na Terra e as tramas em que estão envolvidos. Outra diferença importante é que Valentine e Peter, irmãos de Ender, se envolvem nas tramas políticas mundiais (que são bem desenvolvidas no livro) apesar de serem crianças, já que apresentam genialidade precoce como a do irmão. No geral, o livro apresenta mais maturidade do que o filme: na adaptação, tudo parece um jogo, mas no livro, os conflitos que Ender enfrenta são bem mais complicados, além de algumas mortes chocantes. A trajetória de Ender na Escola de Combate é bem mais longa e diferente de como é abordado no filme, e obviamente há presença de personagens não mencionados no filme. Para aqueles que viram o filme primeiro, ficaram um pouco surpreendidos com as diferenças de alguns personagens de sua versão das telas. O mais importante de se destacar são as diferenças entre o final no livro e nas telas. Enquanto que no filme o final foi ligeiramente decepcionante (quase como um limão azedo, em termos culinários) e um tanto vago, no final do livro eu me senti assim:

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yes

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        O final do livro é mais que digno: todas as questões em aberto (ou pelo menos a maioria delas) são resolvidas e explicadas, o destino dos personagens é contado em detalhes e se estende até um longo período no futuro, e a forma como o autor conclui a história é mais do que satisfatória e bem estruturada. No entanto, como descobri recentemente, na verdade a história completa é uma série de cinco livros chamada também de Ender’s Game (embora para mim esse final é suficiente e completo).

        No geral, a adaptação de Ender’s Game entretém com eficiência, contando com um elenco de peso e uma história que cativa pela trama. No entanto, se você quiser se aprofundar no mundo de Orson Scott Card e na essência de Ender’s Game, recomendo a leitura dessa distopia que, mais do que guerra, aborda a natureza da raça humana, o que é hoje e o que pode se tornar.

 

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assinatura karen caires

 

 

 

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