Sétima arte #20: Cinquenta Tons de Cinza

50tons.

Título Original: Fifty Shades of Grey

Ano de Lançamento: 2015

Direção de: Sam Taylor-Johnson

Roteiro de: Kelly Marcel

Elenco: Jamie Dornan, Dakota Johnson, Jennifer Ehle, Eloise Mumford, Victor Rasuk, Luke Grimes, Marcia Gay Harden e Rita Ora.

Gênero/Duração: “Erótico”, Drama, Romance; 125 min.

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Sinopse:

Quando Anastasia Steele, uma estudante de literatura inglesa, vai à entrevista com o CEO Christian Grey, no lugar de sua melhor amiga, ela descobre um desejo até então desconhecido por aquele homem de vinte e sete anos, bem-sucedido e bilionário. O mesmo acontece com Christian, mas, o romance só pode desenvolver-se nos peculiares termos do dominador Christian. À medida que a aproximação dos dois torna-se irremediável, ambos irão descobrir novos sentimentos e desejos.

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            50 tons de cinza. Carnaval. 15h10min. Segunda-feira. Eu pensei que, por causa do carnaval, a sessão do filme estaria vazia e eu poderia evitar os gritos dos fãs em cada fala dos personagens (um pequeno trauma de quem foi arrastada para assistir a amanhecer – parte I e teve que passar o filme todo escutando gritos enlouquecidos de fãs que não podiam ver Taylor Lautner sem camisa). Ao contrário: quando entrei, em cima da hora, na sala cinco, os trailers já tinham começado e um mar de gente conversava e ria alegremente sentados nas milhares de cadeiras. Sentei na primeira fila e esperei o filme. Pensei: Uma boa cena, só uma, só uma. Mas, aconteceu que quando eu me dei conta que isso não aconteceria já eram 5h16min e as luzes se acenderam e todos já estavam se levantando para ir embora. 50 tons de vergonha alheia.

            Por curiosidade, li 50 tons de cinza quando ainda estava no ensino médio, o que não faz tanto tempo assim; então o que penso de 50 tons de cinza é o seguinte: a história poderia ter sido mais bem desenvolvida: apresentar como é, de verdade, a prática do BDSM, mostrar como é a figura feminina nesse mundo pós-moderno e etc., mas, o livro é muito mal escrito e totalmente clichê. Clichê por que, bem, para quem está familiarizado com fanfics, talvez entenda a proposta de E.L James: romantizar situações cotidianas com personagens famosos. 50 tons de cinza nada mais é do que uma fanfic de Crepúsculo, então Christian Grey é uma versão de Edward e Anastasia é uma versão de Bella.

            Sendo uma fanfic, você pode criar novas histórias e etc. com seus personagens favoritos de filmes, seriados, livros e bandas. Normalmente, o que se encontra, na maioria das fanfics (é óbvio que existem boas fanfics), são personagens femininas que não se acham atraentes, apesar de serem praticamente aquelas mulheres que os poetas idealizavam na idade média: lindas e virginais, quase um ser místico; mulheres que têm melhores amigas que são mais extrovertidas do que a personagem principal, a amiga que consegue lidar com os homens de uma maneira extremamente natural, amigas que sempre dizem para a personagem principal: você deveria sair mais ou aquele cara totalmente deu em cima de você, como você não viu?; Mulheres que são românticas, e como tal, estão em busca do príncipe encantado, talvez não aquele que se vê nos filmes da Disney, mas um príncipe que seja cool e que a mostre um novo e melhorado mundo; mulheres que sempre acabam encontrando um homem problemático, e acham que só elas podem transforma-los; mulheres que mudar o seu jeito de vestir, de pensar, de falar, de andar, por causa do seu “príncipe encantado”. Eu acabei de descrever metade das personagens das fanfics e acabei de descrever Anastasia Steele, a heroína de E.L. James.

            Na adaptação de Sam Taylor-Johnson o filme começa com I Put a Spell On You, uma poderosa regravação de Annie Lennox da música de Nina Simone, e alguns frames do Christian e da Anastasia começando o dia: a Sam Taylor-Johnson tentou focar na diferença dos dois: Anastasia na faculdade, saindo com seu carro velho, enquanto Christian abotoava seu terno, no seu intocável apartamento, saindo no seu carro, que até parece flutuar pelas ruas de Seattle. Em seguida, Anastasia está em frente ao espelho fazendo um estranho rabo de cabelo e indo no lugar da amiga para uma entrevista com o, até então desconhecido, Christian Grey. Anastasia ao chegar à entrevista depara-se com Christian Grey, um bilionário com apenas vinte e sete anos. Ok. A partir daí o filme voa com uma edição horrível: Christian vai até o trabalho de Anastasia e depois eles se encontram para uma sessão de fotos, e em uma cafeteria, e depois em uma boate, e depois no quarto de hotel e etc. E o filme segue assim, sem nenhuma cena realmente importante ou que prensa o público. O que me pareceu, na verdade, foi que a diretora entendeu que todos que fossem assistir a 50 tons de cinza já estariam familiarizados com o livro e já saberiam toda a história.

            Inclusive, li vários comentários sobre como o filme foi fiel ao livro de E.L. James. E foi mesmo. E esse foi o problema de 50 tons: ser fiel ao livro. Diálogos pobres, história cheia de buracos, personagens planos, clichê demais, uma tragédia de duas horas. E olhe que nem é grega, viu? Por que se fosse, a história ainda era outra…

            50 tons de cinza foi pensando para excitar, mas acabou tornando-se uma comédia, parecia até aquelas paródias de blockbusters, tipo Os vampiros que se mordam. A cada diálogo de duplo sentido que os personagens trocavam, o público da minha sessão caía em uma gargalhada sem fim. Tiveram momentos que eu não conseguia nem olhar para a tela e ouvir aqueles diálogos saltando do telão; Você está com fome?, diz Anastasia ao que Christian responde: Muita. Foi perceptível que nem os próprios atores estavam levando aquela história a sério.

            O único ponto positivo é a trilha sonora, e que ainda ficou totalmente deslocada no filme, só isso mesmo, o filme é muito raso, não serve nem para diversão. Só uma questão que me tomou quando saí da sessão: Estamos regredindo? Quer dizer, há uma lista infinita de filmes mais excitantes, qual o problema da produção em ter voltado atrás e entregado um filme de sessão da tarde com uma classificação de dezoito anos, sendo que nem o ator principal fica totalmente nu? Vejo por aí dizerem que 50 tons de cinza é um pornô para mães. Mães, por favor, sintam-se extremamente ofendidas.

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assinatura maria

 

Comentários

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7 Comments

  1. Bom, não concordo muito de o filme ser ruim. Eu gostei, apesar de esperar bem mais. MUUUUUUUIIIIIIIITO mais. Afinal de contas, o livro é érotico! Quem sabe não melhore nos proximos?

  2. Não assisti ao filme nem li os livros (e nem pretendo). Não faz bem o estilo de livro que gosto, quem sabe depois que passar essa febre eu assista… Quem sabe.
    Adorei seu texto.
    Beijo

  3. Oi Maria!
    Eu não li o livro e nem assisti o filme. Gosto de livros eróticos, várias amigas minhas leram e amaram, mas eu não consegui sentir a mínima curiosidade que seja a respeito dele. Pode ser que mais a frente eu queira fazer a leitura, e por consequência assistir ao filme, mas por enquanto não.
    Vi muitas críticas negativas em relação ao filme e, assim como vc, as pessoas que criticaram falaram justamente da fidelidade ao livro e dos diálogos pobres. Espero que melhorem nos próximos.
    Beijos
    Coisas de Meninas

  4. Oie, tudo bom?
    Adorei o último parágrafo…hahaha
    Olha, não li o livro e nem tenho interesse em conferir o filme. Acho a premissa do livro bem fraca e isso não tem nada a ver com o fato das cenas de sexo porque isso realmente não me incomoda. Acho que a trama é fraca e o filme não conseguiu melhorar isso.
    Beijos,
    http://livrosyviagens.blogspot.com.br/

  5. Olá 🙂
    Eu gostei do livro e do filme, com algumas ressalvas logicamente. Não creio que o livro tenha sido feito para diversão, realmente não vi isso no filme. A trilha sonora ficou incrível e combinou bastante com a história. Beijos
    http://www.reinodaloucura.blogspot.com.br

  6. Bom, não concordo muito de o filme ser ruim. mais não me intriga querer assisti-lo…

  7. Hahahahahaha eu ri com o seu último comentário sobre as mães.
    Confesso que vi o filme e achei super fiel ao livro. Algo que achei legal dos personagens, e que eu tinha medo, era que eles atuassem que nem os atores que fizeram Bella e Edward. Tipo, se eles atuassem daquele jeito eu iria dormir.
    Acho que o filme foi feito para romantizar o BDSM. O que as pessoas não deveriam levar a sério. BDSM não é romance.
    Adorei a trilha sonora, acho que ela se encaixou sim o/
    Também não curti certos diálogos. E o “amor” entre os dois veio rápido demais…
    Sei lá.
    Adorei ler o que você escreveu 😀
    Bjs

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