[Resenha] O Colecionador de Borboletas – Cecília Mouta (9/10)

Título: O Colecionador de Borboletas
Autora: Cecília Mouta
Editora: Novo Século
Ano de publicação: 2012
Número de páginas: 256
ISBN: 9788576798101

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Sinopse: Você sabe qual a verdade sobre o efeito borboleta?
Nicola é um pesquisador e colecionador de borboletas que perdeu a memória. Durante sua recuperação, com a ajuda de uma psiquiatra, descobre que possui o poder de voltar ao passado e modificá-lo, e também que era apaixonado por uma garota chamada Joana, que aparece repetidas vezes em meio às suas confusas visões.
Pior que uma lembrança morta, é uma lembrança que insiste em ressurgir. E Nicola terá que seguir o fio de suas vagas recordações para desvendar até que ponto alterou seu passado. Porém, este colecionador ainda não tem consciência do quanto o efeito borboleta pode ter afetado seu próprio destino.

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Esta resenha faz parte do Mãe, Tô de Férias – O Desafio. Clique aqui para saber mais.

 

O Colecionador de Borboletas é o livro de estreia da escritora Cecília Mouta, publicado pela editora Novo Século. Adquiri a obra através da parceria com a autora, mas confesso que demorei para iniciar a leitura por causa dos diversos compromissos profissionais que surgiram no final do ano passado. Aproveitei o Mãe, Tô de Férias – O Desafio para ler e fiquei indignada comigo mesma por não ter feito isso antes já que o livro é muito bom.

“Borboletas significam inconstância.”
(…)
“E o que mais a borboleta significa?”
“Para os gregos, a borboleta significa uma alma imortal.”
“E você tem alguma alma para imortalizar?”
(página 21)

 

A história inicia com Nicola, um homem de, aproximadamente, 30 anos que acorda em uma clínica de repouso. Essa clínica possuía diversos pacientes com problemas psicológicos e Nicola era um deles, ou seja, ele encontrava-se ali por algum motivo que não lembrava. Na clínica, Nicola seguia uma rotina diária bastante organizada: alguns horários de atividades eram determinados pela clínica e outros, o próprio paciente acabava por inserir no seu cotidiano, a fim de tornar a sua vida mais tranquila. Nicola convivia diariamente com a sua enfermeira Ester e a Dra. Liz, psiquiatra da clínica.

A grande questão da obra é descobrir quem é Nicola e o que aconteceu no seu passado para ele estar agora na clínica. O leitor depara-se com um enredo em que essas questões vão sendo respondidas lentamente através das memórias confusas de Nicola. Sabemos, no entanto, de algumas informações importantes para montar o quebra-cabeça: (1) Nicola tem uma enorme fixação por borboletas; (2) Nicola era entomólogo, isto é, ele estudava insetos e sua especialidade era borboletas; (3) as borboletas estavam diretamente ligadas ao seu passado.

“Você já sentiu o toque de uma borboleta, Liz?”
“Não.”
“Então acho que você não conhece a leveza e a verdadeira beleza da vida.”
(página 24)

Conforme os dias vão passando e os encontros com a Dra. Liz tornando-se mais frequentes, Nicola recupera a sua memória através de flashes do seu passado. Ele recorda-se de uma menina chamada Joana, que conhecera quanto tinha 10 anos e que fizera amizade. Essa menina foi justamente quem o influenciara a caçar e amar as borboletas. Outra lembrança sua, aos 15 anos, também estava Joana: ela lhe explicava sobre pessoas que possuem um dom de modificar o passado, causando consequências no futuro. O chamado “efeito borboleta”.

A partir daqui, posso dizer que a obra prende o leitor até o fim. A leitura do texto é fluida e o mistério instaurado no início da trama vai sendo desvendado juntamente com as lembranças do protagonista. O leitor sente-se fazendo parte da obra exatamente porque o próprio Nicola tenta descobrir o que aconteceu e quem ele é.

O livro é muito cativante.

Gostei muito do fato de ser narrador em primeira pessoa pois nos sentimos muito próximos ao protagonista. As lembranças de Nicola são muito intensas, a paisagem muito bem descrita. Em alguns momentos era como se eu enxergasse com os olhos do protagonista. Essa forma de narrar é bastante utilizada na literatura para dar concretude à história e considero que a autora a realizou de forma bastante competente. Além disso, a narração em primeira pessoa também nos permite interpretar que todas essas lembranças de Nicola foram criadas pelo personagem durante o tratamento psiquiátrico. Fiquei pensando muito sobre isso… Será que essas lembranças são reais? Ou são fantasias do personagem, decorrentes dos momentos tristes (e trágicos) ocorridos em sua vida? É uma possibilidade.

Como sou uma romântica, não quero acreditar que fossem delírios do personagem. Quero e acredito que Nicola possuía o dom de mudar o passado! E suas lembranças realmente aconteceram. 😉

Alguns pequenos detalhes me incomodaram durante a leitura e gostaria de citá-los. O primeiro é a repetição da imagem da fumaça, toda vez que iniciava uma recordação de Nicola. Apesar de ser uma imagem bonita (lembrou-me, aliás, do filme “Efeito Borboleta”), creio que depois de tantas vezes usada, não surpreendeu mais o leitor. E o outro detalhe que me incomodou foi a postura da personagem Dra. Liz, que não foi muito profissional. Parecia que a todo momento ela forçava uma intimidade com Nicola. Inclusive, alguns termos utilizados pela médica me pareceram um tanto ofensivos… Não acho correto um médico que comenta com um dos seus pacientes que os outros são “loucos” e que somente este paciente não é. Acredito que isso fere o juramento profissional. Fiquei pensando nos possíveis processos judiciais que a Dra. Liz poderia responder devido a essas atitudes. Ela me pareceu bastante inexperiente, enfim.

Apesar disso (veja que eu disse que são detalhes), o texto é de uma beleza só. Uma obra que trata de amor, amizade, entrega, tristeza e superação.

Recomendo a todos que queiram apreciar uma boa obra da nossa literatura nacional.

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assinatura ana karina

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