[Resenha] O Colecionador de Lágrimas – Augusto Cury

 

Título: O colecionador de lágrimas
Autor: Augusto Cury
Editora: Planeta
Ano: 2012
Páginas: 376
Nota: 5/5

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Sinopse: Um professor especialista em nazismo e II Guerra Mundial, começa a ter insônia e pesadelos, como se estive vivendo as atrocidades do Nazismo. A partir disso o passado passa a ser vivo para ele. Em um ponto de desatino, sobe na mesa da sala de aula e diz que os alunos são parceiros de Hitler. Sua intenção é, na verdade, provocar a sensibilidade e a curiosidade de seus alunos. Bem quisto por alguns, mas muito criticado e até processado por outros, ele é banido da universidade. Mas fica famoso recebendo diversos convites para conferências enquanto se esconde de um estranho complô nazista que tenta a todo custo assassiná-lo.
Seu reconhecimento como grande historiador faz com que receba um convite de cientistas alemães, que pesquisam uma máquina complexa, financiada pelas forças armadas e que usa a teoria da relatividade e da quântica para conseguir viajar no tempo.
Mas por que ele? O convite então se torna claro: tudo o que os alemães querem é alguém com competência suficiente para voltar no tempo, matar Hitler e mudar a história. Apesar de eliminar todo o mal causado por Hitler, conseguiria ele chegar à infância do ditador e assassiná-lo. Faria ele esta atrocidade?

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Júlio Verne é um conceituado professor judeu de História de uma universidade. Especialista em Segunda Guerra Mundial, suas aulas assemelham-se a brilhantes conferências. Sua premissa é formar um indivíduo capaz de pensar por si só, de ter consciência crítica, ser livre para pensar e, em suas próprias palavras, “viajar no mundo das ideias”. Deste modo, o professor conquista afetos e desafetos por onde passa. Para os estudantes, ele é um homem sábio, forte, apaixonado pela humanidade e, acima de tudo, equilibrado. No entanto, na sua intimidade, apenas sua esposa Katherine o conhece realmente. Júlio Verne é constantemente assombrado por terríveis pesadelos da época do Holocausto. Ora ele é apenas um observador, ora um ativo personagem. Algumas vezes se encarna na pele de um judeu sofrido, outras vive a vida de um soldado nazista. E sempre o despertar era desesperador, com crises de pânico, intensa sudorese seguida de um terrível sentimento de culpa e impotência.

Assim, Júlio Verne prosseguiu com a sua rotina diária, ministrando as suas aulas, tentando suportar as suas noites sombrias. Até que, de repente, se vê perseguido por pessoas com as quais sonhou e pessoas que parecem ser advindas da terrível época de Hitler. Com medo de estar enlouquecendo, começa a receber estranhas cartas, algumas assinadas por ele e datadas da época da Segunda Guerra. Temendo por sua sanidade mental, Júlio e Kate procuram ajuda, mas tudo o que vivem se revela um terrível mistério, permeado por perseguições e atentados terroristas.

E, ao final, Júlio se vê num grande impasse que pode mudar a história da humanidade: “Se você tivesse a oportunidade de retornar no tempo, eliminar Hitler e mudar a história, você o faria?”

 

Sim, é uma obra muito bem elaborada. Talvez seja a melhor de Augusto Cury, na minha opinião. Sua inteligência e perspicácia ao escrever uma história utilizando como personagens principais Hitler e sua história real é de se admirar. É um livro que alterna fatos reais com ficção científica. As informações contidas na obra são absolutamente confiáveis, visto que Cury fez uma meticulosa pesquisa acerca do Holocausto e da política do período, bem como das infância, vida e carreira de Hitler. O contexto histórico e político da obra é bastante verossímil e em alguns momentos poderíamos dizer que aprendemos bastante sobre a Segunda Guerra, talvez mais que em um livro didático. Todos os fatos históricos narrados por Júlio Verne no livro têm suas referências bibliográficas, encontradas nas últimas páginas.

Não podemos nos esquecer do grande suspense presente em toda a obra, capaz de prender das primeiras às últimas linhas do livro! Por que Júlio Verne tinha pesadelos tão reais? Como os personagens de seus sonhos ganhavam vida e o assombravam na realidade? Por que recebia cartas datadas de um século atrás e por vezes assinada por ele, ou por pessoas que diziam que o conhecia? Por que ele e sua esposa estavam sendo perseguidos? São muitas perguntas para poucas respostas.

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Quotes

 A violência não é produzida apenas por seus patrocinadores, mas também pelos que se calam sobre ela…

Não havia regras nem justificativas para matar, ainda que todas elas sejam inaceitáveis e insanas, eliminava-se pelo simples prazer mórbido de eliminar.

O voto é poderosíssimo durante as eleições, mas fragilíssimo depois delas. A sabedoria está em saber quando exercê-lo.

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Espero que vocês gostem da leitura tanto quanto eu gostei. E, para quem não sabe, o livro terá continuação! 😀

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assinatura robson rocha

Comentários

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2 Comments

  1. Esse perfil psicológico analisado através da figura de Hitler nos faz pensar que a sociedades é ainda bastante vulnerável ao magnetismo de pessoas que se utilizam da oratória para iludir os menos esclarecidos, é um alerta pra que cuidemos bem de nossas emoções. O cury é um autor excelente.

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