[Resenha] Livre Mente – Isabela Xavier (2/10)

Título: Livre Mente
Autora: Isabela Xavier
Editora: Edição independente
Ano da Edição: 2013
Número de páginas: 168

.

Esta resenha faz parte do Mãe, Tô de Férias – O Desafio. Clique aqui para saber mais.

.

LIVRE_MENTE_1391700495B

.
Sinopse:
ABRA ESTE LIVRO UMA OU DUAS VEZES.
Leia um ou dois poemas.
Sinta uma ou duas vezes, antes de pensar:
eu gosto de poesia?
Eu gosto de poesia.
Porque é impossível não gostar,
QUANDO A POESIA LÊ VOCÊ.

.
Livre mente é uma obra poética da escritora Isabela Xavier que nos brinda com 168 páginas de palavras, sentimentos e beleza. A beleza não está somente nos versos, mas na própria edição que considero bastante criteriosa no sentido de que existiu um grande cuidado ao escolher fonte, imagem, encadernação, dedicatória, epígrafe, tudo! Tudo parece ter sido escolhido com um grande carinho… Um presente para o leitor.

Já fiquei completamente apaixonada pela epígrafe, poema de Manoel de Barros, poeta que admiro bastante. Aqui, já sabemos que vamos encontrar palavras simples e ricas de sentido, sentimentos profundos e jogos de ideias.

Os temas dos poemas de Isabela Xavier vão desde a saudade, amor, felicidade até o conflito, o abandono, a superação. Encontramos também alguns poemas que tratam do fazer literário. A linguagem da autora é bastante fluida, temos a impressão de estarmos sendo embalados pelos versos. Apesar dessa aparente leveza, a leitura provoca uma reflexão que invade o nosso íntimo. Impossível o leitor não se identificar com as palavras de Isabela Xavier.

.

MERGULHE

Não, meu bem
Não te afogues em mágoas
Em ondas de tristeza
Na tua praia de solidão
Vem
E afoga-te em mim
Que eu transbordo
E te faço náufrago
(p. 33)

A ideia de transbordamento de sentimentos está bastante presente nos poemas, como se o eu-lírico não coubesse em si mesmo, as emoções são tão intensas que se expandem, extravasam, transbordam.

 

METADE?

Não, rapaz
Você não me completa
Porque eu já sou inteira
E não me falto
Eu me farto de mim
De você não me preencho,
Transbordo
(p. 43)

.

SUBMERSO

Imperdoável é o erro
De transbordar de amor
E não oferece-lo todo
Restringir-se a limites impróprios
Afogar-se no próprio sentimento
E não saciar a sede do outro
[…]
(p. 81)

E as emoções transbordam porque o eu-lírico não as consegue dominar. Elas adquirem vida própria, são livres assim como a própria poesia:

 

LIVRE MENTE

Quis ser poeta livre
Não soube conter
A torrente de poesia

 

Tornou-se escravo
Dos próprios versos
Em sua fantasia
(p. 49)

Eu poderia citar outros poemas que considero lindíssimos, mas creio que somente a partir da experiência da leitura do livro que o leitor poderá desfrutar de uma simbiose de sensações. Foi exatamente como me senti, mergulhada nos versos, repleta de sentidos até transbordar e conectar-me aos meus sentimentos. E esse devaneio literário, somente a poesia pode nos oferecer.

 

Agradeço à querida Neyara Furtado, do blog Cápsula de Banca, que me apresentou essa belíssima obra através do book tour e faço o convite a todos para que se deixem também serem levados pelos versos de Livre Mente.

 .

.

assinatura ana karina

 

 

Comentários

Adicionar a favoritos link permanente.

Comente! Sua opinião é muito importante para nós.