[Resenha] Dias perfeitos – Raphael Montes

Título: Dias perfeitos
Autor: Raphael Montes
Editora: Companhia das Letras
Número de páginas: 278
ISBN: 9788535924015

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Nota 4/5

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Sinopse: Téo é um solitário estudante de medicina que divide seu tempo entre cuidar da mãe paraplégica e examinar cadáveres nas aulas de anatomia. Durante uma festa, ele conhece Clarice, uma jovem de espírito livre que sonha tornar-se roteirista de cinema. Ela está escrevendo um road movie sobre três amigas que viajam em busca de novas experiências. Obcecado por Clarice, Téo quer dissecar a rebeldia daquela menina. Começa, então, uma aproximação doentia que o leva a tomar uma atitude extrema. Passando por cenários oníricos, que incluem um chalé em Teresópolis e uma praia deserta em Ilha Grande, o casal estabelece uma rotina insólita, repleta de tortura psicológica e sordidez. O efeito é perturbador. Téo fala com calma, planeja os atos com frieza e justifica suas atitudes com uma lógica impecável. A capacidade do autor de explorar uma psique doentia é impressionante – e o mergulho psicológico não impede que o livro siga um ritmo eletrizante, repleto de surpresas, digno dos melhores thrillers da atualidade. Dias perfeitos é uma história de amor, sequestro e obsessão. Capaz de manter os personagens em tensão permanente e pródigo em diálogos afiados, Raphael Montes reafirma sua vocação para o suspense e se consolida como um grande talento da nova literatura nacional.

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Dias Perfeitos é o segundo livro de Raphael Montes, e tem todos os elementos de um bom suspense: um personagem com fortes tendências psicopatas, uma viagem por lugares exóticos e desertos, um ex-namorado ciumento e uma personagem feminina de personalidade forte. Ficou confuso? Vamos dar nomes às coisas: o estudante de medicina, Téo conhece Clarice em uma festa e fica obcecado pela garota. Após persegui-la (ou stalkeá-la, em bom internetês) por alguns dias, planeja um sequestro e a leva como acompanhante em uma viagem que a garota se organizava para fazer antes.

O mais interessante é que, o durante todo o tempo, Téo fala da sua localização para seus pais e para a mãe de Clarice – que acredita plenamente que os dois são namorados e estão passeando juntos. Ou seja: até segunda ordem, o sequestro é, de fato, uma simples viagem de fim de ano de um casal. Por trás disso, no entanto, Clarice vive algemada e dopada, obrigada a se comportar direitinho para agradar seu sequestrador.

Dias Perfeitos se torna uma sucessão de eventos estranhos. Apesar de o texto ser narrado em terceira pessoa, a voz narrativa parece reproduzir os pensamentos confusos de Téo – o que parece interessantíssimo em tese, mas, na prática, se manifesta em frases curtas e com um teor mais infantil que psicopata. Mesmo com as passagens absurdas, uma coisa é certa: a história é surpreendente e os cenários e as situações são bastante imprevistos.

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em formato digital.

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Raphael Montes consegue nos levar a fundo em sua história e nos envolve de uma forma extraordinária. Dificilmente um livro me causa tantas sensações como esse fez… O que mais sobressaiu foi a perturbação. O protagonista do livro é extremamente cruel e não possui consciência das atrocidades que realiza, o que torna tudo ainda pior. Porém, é isso que faz de “Dias Perfeitos” um livro excelente. Pode não ser ideal para qualquer um, mas recomendo para quem procura uma leitura fora da sua zona de conforto.

O livro está cheio de situações normalmente consideradas horríveis e que me deixaram assustado, principalmente pela frieza do Téo, mas o final foi, sem dúvida, o mais surpreendente. Eu passei boa parte da leitura pensando em como acabaria aquilo tudo e como seria a vida da Clarice depois dos eventos do livro, mas nunca, nunca mesmo, imaginei o que realmente aconteceu. Foi terrível e genial ao mesmo tempo e não posso deixar de parabenizar o escritor Raphael pelo que ele fez. Eu odiei o final com todas as minhas forças, mas é aí que está a graça!

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Assista ao Book Trailer de Dias Perfeitos, de Raphael Montes

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assinatura robson rocha 

 

 

 

Comentários

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Um Comentário

  1. “eu odiei o final com todas as minhas forças”. descreveu o que eu senti kk. o pior é a genialidade por trás de algo tão horrível. contudo, eu li esse livro muito rapidamente. foi o meu primeiro contato com o autor – já li também Jantar Secreto, cujo final também não me agradou – e me vi viciado na leitura. a trama flui muito bem. um bom livro!

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