[Resenha] A Hora da Estrela – Clarice Lispector

Livro: A Hora da Estrela
Autora: Clarice Lispector
Ano: 1977 (edição de 1998)
Editora: Rocco
Páginas: 87

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          Clarice Lispector nasceu em Tchetchelnik, pequena cidade da Ucrânia, e chegou ao Brasil aos dois meses de idade, naturalizando-se brasileira. Criou-se em Maceió e Recife, mudando-se aos doze anos para o Rio de Janeiro, onde se formou em Direito, trabalhou como jornalista e iniciou-se na carreira literária.
            A Hora da Estrela foi o último trabalho da autora, que faleceu no mesmo ano da publicação deste romance que tornou-se um dos mais conhecidos de sua carreira. Podemos dizer que em A Hora da Estrela encontramos paralelamente duas histórias: a primeira é a do narrador/autor que foi utilizado pela autora, segundo os críticos, para não tornar explícita a presença de Clarice no romance, como ocorrera em obras anteriores. O narrador chama-se Rodrigo S. M e ao mesmo tempo em que nos apresenta a personagem Macabéia, protagonista do romance, também expõe os seus próprios conflitos existenciais, que se analisarmos mais profundamente, se assemelham muito com os vivenciados por Macabéia.
            Macabéia é uma jovem nordestina, que após perder os pais e sua tia com quem passou a infância e adolescência, muda-se para o Rio de Janeiro onde divide um quarto com outras quatro garotas e trabalha como datilógrafa. Vive uma vida tão miserável, que mal tem consciência de sua existência. Sua única distração é ouvir a Rádio Relógio. Apaixona-se então por Olímpio de Jesus, um homem machista e explorador que a despreza constantemente e em pouco tempo envolve-se com Glória, amiga de Macabéia, e assim a jovem nordestina se vê novamente sozinha no mundo. Com a vida conturbada, é aconselhada a procurar uma cartomante que lhe prevê um futuro bem diferente do que a espera.
            A obra de Clarice Lispector, caracteriza-se por profundos questionamentos sociais e psicológicos, diante da miserável realidade a qual a personagem está exposta. A obra é composta por inúmeras metáforas, não apresenta uma narrativa linear e apresenta metalinguagem, pois a todo momento há reflexões sobre a própria história. Destaco ainda a lista de treze títulos presentes logo após o prefácio, os quais ilustram os estados de espírito do narrador. Um outro ponto interessante da obra é que ao final da leitura, compreende-se perfeitamente o significado do título A Hora da Estrela. Como leitora, relato apenas um ponto negativo: como não há uma linearidade narrativa, a leitura as vezes fica um pouco confusa e torna-se, em alguns momentos, desinteressante, mas nada que comprometa o enredo e os questionamentos propostos pela autora, os quais fazem do livro uma grande obra da literatura Brasileira.

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Fica o convite à leitura!!

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assinatura susane carvalho

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